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Imprensa / Notícias
04 de Março de 2015 - Cérebro

Memória genética: como sabemos o que não aprendemos

O savant parece já vir programado com uma enorme quantidade de aptidões inatas e conhecimentos em determinada habilidade – um “software” instalado de fábrica


Conheci meu primeiro savant há 52 anos e fiquei intrigado com essa condição impressionante. Uma das características mais marcantes e consistentes nos savants é o fato de que eles claramente sabem coisas que nunca aprenderam. Leslie Lemke é um talentoso músico apesar de não ter tido uma única aula de música em sua vida. Assim como “Blind Tom” Wiggins, que viveu um século antes dele, sua genialidade musical surgiu tão cedo e tão espontaneamente durante a infância que não seria possível que tivesse sido aprendida. Veio “de fábrica”. Em ambos os casos, músicos profissionais testemunharam e confirmaram que Lemke e Wiggins tinham acesso inato às chamadas regras musicais, ou a vasta sintaxe musical, mesmo na ausência de treinamento formal.

Alonzo Clemmons nunca teve uma aula de arte em sua vida. Quando criança, depois de uma lesão na cabeça, ele começou a esculpir qualquer material que encontrasse e hoje é um célebre escultor, capaz de moldar um espécime perfeito de qualquer animal com argila em uma hora ou menos posicionando cada músculo e tendão perfeitamente, mesmo tendo visto o modelo apenas uma única vez. Ele não teve nenhum treinamento formal.

Para explicar como o savant tem acesso inato a técnicas e conceitos da arte, da matemática, da música e até da linguagem, sem treinamento formal e na presença de uma enorme deficiência, parece a mim que é preciso que exista uma “memória genética”, nos circuitos de memória cognitivos/semânticos e de procedimento/hábito.

Memória genética, explicada brevemente, são habilidades complexas e conhecimento sofisticado herdados. Nos savants, seria o “chip” musical, artístico ou matemático que vem “instalado de fábrica”. Além dos exemplos mencionados acima, descrevo outros no meu livro,  Islands of genius: the bountiful mind of the autistic, acquired and audden savant (Ilhas de genialidade: a prodigiosa mente do savant autista, adquirido ou repentino, sem tradução em português).

Memória genética não é um conceito inteiramente novo. Em 1940, A. A. Brill citou o dr. William Carperter, que, ao comparar habilidades de cálculo do prodígio da matemática Zerah Colburn ao domínio de Mozart da composição musical, escreveu o seguinte:

“Em cada um dos seguintes casos, temos um exemplo peculiar de uma habilidade congênita extraordinária para determinada atividade mental, que se mostrou em um período tão precoce a ponto de excluir a noção de que poderia ter sido adquirida pela experiência do indivíduo. A esses dons congênitos, damos o nome de intuições: é praticamente inquestionável que, assim como os instintos de outros animais, eles são expressões de tendências constitutivas dos indivíduos que os manifestam”.

Carl Jung utilizou o termo “inconsciente coletivo” para definir seu conceito ainda mais amplo de tratos herdados, intuições e sabedoria coletiva do passado. Wilder Penfield, no seu livro pioneiro de 1978, Mystery of the mind (Mistério da mente), também se refere a três tipos de memória. “Animais”, ele escreveu, “mostram evidências do que pode ser chamado memória racial” (o equivalente a memória genética). Ele define o segundo tipo de memória como associada a “reflexos condicionados” e o terceiro tipo como “experiencial”. Esses últimos dois tipos correspondem, respectivamente, à memória de procedimento, ou hábito, e à memória cognitiva ou semântica.

Em sua obra O passado da mente (Piaget, 2000), Michael Gazzaniga escreveu:

“O bebê não aprende trigonometria, mas a sabe; não aprende como distinguir figuras do chão, mas o sabe; não precisa aprender, mas sabe que, quando um objeto com massa atinge outro, fará o objeto se mover. O vasto córtex cerebral humano é cheio de sistemas especializados prontos e aptos a serem usados para tarefas específicas. O cérebro é construído sob um estrito controle genético. Assim que está formado, o cérebro começa a expressar aquilo que sabe, aquilo que já veio de fábrica. Ele já chega bem munido. O número de dispositivos especiais que já vêm ativos e a postos é impressionante. Tudo, de fenômenos de percepção até física intuitiva, até regras de convívio social, vem com o cérebro. Essas coisas não são aprendidas, são estruturadas de forma inata. Cada dispositivo resolve um problema diferente. A multidão de dispositivos que nos permitem fazer o que fazemos vem instalada de fábrica. No momento em que nos damos conta de uma ação, esses mecanismos já a realizaram”.

O livro de Steven Pinker, Tábula rasa (Companhia das Letras, 2004), refuta as teorias de que o desenvolvimento humano teria começado do zero. O neurocientista Brian Butterworth, da Universidade College London, aponta que bebês têm muitas habilidades inatas especializadas, incluindo algumas relacionadas a números, que ele atribui a um “módulo numérico” codificado no genoma humano a partir de ancestrais que viveram há 30 mil anos.

Marshal Nirenberg, no Instituto Nacional do Coração, em Maryland, EUA, inspirou insights sobre os mecanismos de DNA/RNA envolvidos nesse conhecimento inato em um artigo chamado Memória genética, publicado em 1968 no Jounal of the American Medical Association (Jornal da Associação Médica Americana)

Seja utilizado o termo memória genética, ancestral ou racial, ou mesmo intuições ou dons congênitos, o conceito de transmissão genética de conhecimento sofisticado que vai muito além de instintos é necessário para explicar como os prodigiosos savants podem saber coisas que nunca aprenderam.

Temos a tendência de pensar que nascemos com uma maquinaria orgânica magnífica e intrincada (“hardware”), que é o cérebro, que teria vindo com um “hard drive” enorme, mas vazio, a memória. E o que nos tornamos seria o resultado de nossas experiências e aprendizados contínuos, que seriam adicionados um por um à memória. Mas o savant parece já vir programado com uma enorme quantidade de aptidões inatas e conhecimentos em determinada habilidade – “software” instalado de fábrica –, justificando sua expertise, apesar das dificuldades cognitivas e de aprendizagem. É uma área da função da memória que merece ser mais explorada e estudada.

De fato, casos recentes de “savants adquiridos” e “gênios acidentais” me convenceram de que todos nós temos softwares instalados de fábrica. Em resumo, algumas pessoas, após doenças ou lesões na cabeça, demonstram habilidades repentinas, por vezes prodigiosas, na música, na arte e na matemática, que permaneciam dormentes até serem liberadas por um processo de recrutamento de áreas cerebrais ainda intactas ou não machucadas, reprogramando essas novas áreas e libertando a capacidade latente que elas continham.

Finalmente, o reino animal oferece amplos exemplos de capacidades complexas herdadas, que vão além das características físicas. Borboletas monarcas fazem uma jornada anual de 2.500 milhas, do Canadá até um pequeno pedaço de terra no México, onde passam o verão. Na primavera, elas começam a jornada de volta ao norte, mas o processo leva três gerações para ser completado. Assim, nenhuma borboleta que faz a viagem de volta já voou a rota inteira antes. Como elas “sabem” o caminho que nunca aprenderam? Deve ser um tipo de GPS interno herdado, porque a rota não é aprendida.

Alguns pássaros canoros, como pardais e sabiás, aprendem suas canções ouvindo aos outros. Outras espécies, como o papa-moscas-do-campo, no entanto, herdam todas as instruções genéticas de que precisam para seu canto complexo. Mesmo quando criados em isolamento à prova de som, são capazes de produzir o chamado característico da espécie sem treinamento ou aprendizado. Há muitos outros exemplos do reino animal em que traços muito complexos, comportamentos e habilidades são herdados e inatos. Nos animais,  damos-lhes o nome de instintos, mas não aplicamos o conceito às habilidades complexas e ao conhecimento herdado em seres humanos.

Alguns argumentam que, na realidade, savants prodígios herdam uma propensão, um “degrau a mais” que serve de base para que o aprendizado se desenvolva mais rapidamente, e não conhecimento em si, e, como os sabiás e pardais, aprendem com o estímulos ambientais.  Minha posição, porém, é que os prodigiosos savants são um exemplo convincente do tipo de herança genética semelhante ao dos papa-moscas-do-campo, que carrega as instruções propriamente ditas e o conhecimento que precede o aprendizado. Não quero dizer que essas habilidades herdadas (naturais) não possam ser cultivadas e melhoradas (nutridas). Elas podem. Mas eu concordo com o dr. William Carpenter, ao dizer que savants demonstram “aptidão congênita para certas atividades mentais. Sua revelação é tão precoce que exclui a ideia de que as habilidades poderiam ter sido adquiridas pela experiência do indivíduo”.

Eu chamo isso de memória genética e proponho que ela existe em todos nós. O desafio é saber como ativar a capacidade dormente de forma não intrusiva, isto é, sem que ocorram lesões cerebrais ou incidentes similares.


Darold Treffert é psiquiatra, professor da Escola de Medicina da Universidade de Wisconsin, um dos maiores pesquisadores da síndrome de savant no mundo. 
Este artigo foi originalmente publicado no blog para convidados da Scientific American, em 28 de janeiro de 2015. 
Edição: F.C.


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